Mão ajustando um termostato no escritório, ilustrando Janeiro Branco e NR-1

Janeiro Branco e NR-1: como transformar a campanha no primeiro passo da gestão de riscos psicossociais

Termômetro mostra a febre. Termostato controla a temperatura.

Os dois têm a ver com calor, mas fazem coisas muito diferentes. O primeiro informa; o segundo age. Uma casa cheia de termômetros continua quente se ninguém mexer no termostato.

Na maioria das empresas, o Janeiro Branco funciona como termômetro. Uma palestra aqui, um questionário ali, um cartaz lembrando que saúde mental importa. A temperatura fica registrada — e o ambiente continua igual.

Desde que a NR-1 passou a exigir a gestão dos riscos psicossociais, essa diferença ficou cara. Este artigo mostra como fazer a ponte entre Janeiro Branco e NR-1: usar a campanha como escuta qualificada e transformar o que ela revela em plano de ação.

Em 30 segundos

  • A NR-1 exige que os riscos psicossociais estejam no inventário e no plano de ação do PGR, com participação dos trabalhadores.
  • O Janeiro Branco pode cumprir um papel concreto nessa gestão: ser o momento de escuta.
  • O ciclo 30-60-90 organiza o caminho: escutar em janeiro, priorizar em fevereiro e março, revisar em abril.
  • Campanha que não gera registro nem medida não ajuda a empresa na fiscalização.

O que a NR-1 tem a ver com o Janeiro Branco?

A NR-1 e o Janeiro Branco se encontram na saúde mental, mas têm naturezas diferentes. O Janeiro Branco é uma campanha de conscientização, instituída pela Lei 14.556/2023. A NR-1 é uma norma que obriga a empresa a identificar, avaliar e controlar os riscos psicossociais relacionados ao trabalho dentro do PGR.

Segundo o documento de perguntas e respostas sobre GRO e PGR publicado pelo Ministério do Trabalho e Emprego em maio de 2026, o novo texto entrou em vigor em 26 de maio de 2026, com 90 dias de fiscalização orientativa. Desde então, a gestão desses riscos pode ser cobrada em auditoria.

A ponte entre os dois está num detalhe do mesmo documento: o MTE afirma que questionário não é obrigatório, que aplicá-lo de forma isolada não basta, e que a participação dos trabalhadores precisa ser efetiva. Janeiro, com o tema em evidência, é o mês em que as pessoas estão mais dispostas a falar. Se quiser o panorama completo, veja o que mudou na nova NR-1.

Por que campanha sozinha não cumpre a NR-1?

Campanha sozinha não cumpre a NR-1 porque a norma pede gestão, não conscientização: riscos identificados, avaliados, com medidas de prevenção, responsáveis, prazos e acompanhamento. Uma palestra de Janeiro Branco informa os trabalhadores, mas não muda a carga, a escala ou a liderança que gera o risco.

A gente vê com frequência a mesma cena: a empresa faz uma bela campanha, com boa adesão, e em março ninguém sabe dizer o que foi feito com o que se ouviu. A temperatura foi medida. O termostato não foi tocado.

O que o auditor tende a olhar

Não é se houve palestra em janeiro. É se os riscos psicossociais aparecem no inventário, se há medidas no plano de ação e se os trabalhadores participaram do processo. A campanha ajuda quando deixa registro desses três pontos.

O ciclo 30-60-90: do Janeiro Branco ao plano de ação

O ciclo 30-60-90 é uma forma de usar o Janeiro Branco como primeira etapa da gestão de riscos psicossociais: nos primeiros 30 dias, escutar; até o dia 60, priorizar e definir medidas; no dia 90, revisar e comunicar o que mudou. A campanha deixa de ser evento e vira processo.

Zona de Presença da Catividade, espaço de escuta usado no Janeiro Branco e na gestão de riscos psicossociais
Zona de Presença, espaço de escuta mediado por psicólogo da Catividade.
  1. Dias 1 a 30: escutar (janeiro)Experiências de educação emocional, rodas de escuta mediadas e, se a empresa quiser, uma avaliação estruturada. Registre os temas que aparecem por setor: sobrecarga, conflito, falta de clareza, insegurança.
  2. Dias 31 a 60: priorizar (fevereiro e março)Cruze o que foi ouvido com o inventário do PGR e com dados de afastamento. Escolha os três riscos mais críticos e defina medidas na organização do trabalho, com dono e prazo.
  3. Dias 61 a 90: revisar e comunicar (abril)Mostre à equipe o que mudou a partir da escuta. Revise o que não andou. Esse retorno é o que faz as pessoas participarem de novo no ano seguinte.

O detalhamento de como montar as medidas está no guia sobre plano de ação para riscos psicossociais, que traz sete passos e exemplos de indicadores.

Quer que o Janeiro Branco alimente o seu PGR?

A gente estrutura a escuta e entrega o registro organizado por tema e setor.

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Que registros guardar da campanha?

Para que o Janeiro Branco ajude na gestão da NR-1, a empresa deve guardar a programação das ações, listas de participação por setor, os temas levantados nas escutas (sem identificar pessoas), os encaminhamentos feitos e a ligação de cada tema com o inventário e o plano de ação do PGR.

Registro Para que serve na NR-1
Programação e participação Mostra que houve envolvimento dos trabalhadores
Temas por setor, anônimos Alimenta a identificação dos perigos psicossociais no inventário
Encaminhamentos Demonstra cuidado com casos individuais, com sigilo
Medidas decididas Vira item do plano de ação, com responsável e prazo
Retorno à equipe Fecha o ciclo e sustenta a participação contínua

Sigilo é inegociável. Escuta que expõe pessoas destrói a confiança e, com ela, a qualidade das informações nos anos seguintes.

Onde a Catividade entra

A Catividade não elabora nem assina o PGR; esse papel é do SESMT e dos responsáveis técnicos da empresa. O que a Catividade faz é estruturar a etapa de escuta e as medidas de cuidado: realiza ações de Janeiro Branco com estandes de educação emocional e espaços conduzidos por psicólogos, em empresas de todo o Brasil, presencial e online.

Depois da campanha, a Catividade organiza o que foi ouvido por tema e setor e implanta programas contínuos, como o Programa Integrado, que parte do mapeamento de saúde da empresa para montar linhas de cuidado acompanhadas por indicadores no App Movimente. Para entender o contexto dos riscos, este artigo sobre riscos psicossociais no trabalho ajuda.

Programa Integrado

Linhas de cuidado personalizadas a partir do mapeamento de saúde, próprio da empresa ou feito pela Catividade, integrando programas de saúde mental, física e nutricional com indicadores acompanhados ao longo do ano.

Conhecer os programas contínuos

Palestra Comportamento Seguro e Saúde Mental

Conduzida por especialista, online ou presencial, conecta pressão, relações de trabalho e segurança. Funciona como abertura do Janeiro Branco para liderança e equipes.

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Perguntas frequentes

Fazer Janeiro Branco cumpre a NR-1?

Não sozinho. A NR-1 exige gestão dos riscos psicossociais no PGR, com inventário, plano de ação e participação dos trabalhadores. O Janeiro Branco pode ser a etapa de escuta desse processo, desde que gere registro e medidas.

A empresa precisa aplicar questionário de riscos psicossociais em janeiro?

Não. O MTE informa que o uso de questionário não é obrigatório e que, aplicado de forma isolada, não é suficiente. Rodas de escuta, entrevistas e análise de indicadores também fazem parte da avaliação.

Quando a NR-1 de riscos psicossociais começou a valer?

O novo texto entrou em vigor em 26 de maio de 2026. Segundo o MTE, os 90 dias seguintes foram de fiscalização orientativa; depois disso, podem ser lavrados autos de infração.

Como garantir sigilo nas escutas do Janeiro Branco?

Use mediadores externos ou preparados, registre temas e nunca nomes, apresente resultados por setor apenas quando o grupo for grande o suficiente para não identificar pessoas, e informe a equipe sobre essas regras antes de começar.

Um termômetro a mais não esfria a casa. Use janeiro para medir com cuidado — e use fevereiro, março e abril para mexer no termostato.

Da escuta ao plano, em 90 dias

Conte em que ponto está a gestão dos riscos psicossociais na sua empresa. A gente mostra como o Janeiro Branco pode adiantar o trabalho.

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